Modalidades
O estudo sobre a Dança do Ventre é complexo por abordar diversas modalidades, cada uma com o objetivo de transmitir diferentes mensagens. A missão da bailarina é representá-las para o público através de sua dança.
São
chamadas de Danças Folclóricas aquelas que retratam os costumes e as tradições
das antigas regiões do Oriente Médio.
Além
da dança propriamente dita, a bailarina deve desenvolver habilidades extras
para o manuseio de novos instrumentos.
Algumas
das modalidades mais conhecidas:
Dança com Véu
O
Véu é um dos símbolos mais comuns na dança do ventre. Por ser leve e
transparente revela um clima de magia e mistério ocultando o que mais tarde será
descoberto. Ele contorna o corpo e o rosto da bailarina e a acompanha em muitos
passos, principalmente em giros.
O
véu de seda é o preferido entre as dançarinas. Trata-se de um tecido nobre
que proporciona mais suavidade aos movimentos da dança.
Pode-se dançar com 1, 2 ou até 7 véus.
Dança dos Sete Véus
A
Dança dos Sete Véus é uma dança bela, forte e enigmática, onde cada véu
corresponde a um grau de iniciação.
Os
7 Véus representam os sete chakras corporais em equilíbrio e harmonia. Sete
cores, sete defeitos, sete maravilhas, sete pecados capitais e sete planetas.
Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das
pessoas. A retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais
nefastos e a exaltação de suas qualidades, simbolizando
a sua evolução espiritual.
A
retirada e o cair de cada véu significam o abrir dos olhos que desperta a
consciência da mulher. A bailarina se envolve em sete véus e, por baixo, a
vestimenta da dança do ventre. Durante a música, que deve ser lenta e de longa
duração, a bailarina sutilmente tira os véus de seu corpo.
1º
Véu (Vermelho), significa alegria e vitalidade. Libertação das paixões e vitória
do amor. É diretamente relacionado com o chakra básico. Envolve os quadris
podendo ser retirado com movimentos sinuosos e sensuais.
2º
Véu (Laranja), significa felicidade, sensualidade e criatividade. Libertação
da raiva e dos sentimentos de ira. É relacionado com o chakra umbilical e
envolve o ventre.
3º
Véu (Amarelo), significa entusiasmo. Libertação da ambição e do
materialismo. É relacionado com o chakra do plexo solar, envolvendo o abdômen
e deve ser retirado com muita graciosidade.
4º
Véu (Rosa ou Verde), é entrelaçado nos seios, significa amor e compaixão.
Também se associa com a boa saúde e equilíbrio do corpo físico. São
retirados com muita doçura, estando relacionado com o chakra cardíaco.
5º
Véu (Azul ou Turquesa), sensibilidade e vontade é o seu significado. Tráz
encontro com a serenidade. Relacionado com o chakra laríngeo, é enlaçado no
pescoço e retirado com muita arte.
6º Véu (Violeta), significa percepção e intuição. É relacionado com o
chakra frontal e é colocado sobre o rosto (cobrindo a boca). Libertação da
negatividade. Deve ser retirado com movimentos bem sinuosos e com muita expressão
no rosto.
7º Véu (Branco ou Dourado), significa integridade e pureza de intenções.
Encontro com a paz interior e a luz. É colocado na cabeça.
Dança
do Candelabro
Raks
el Shamadan é o nome egípcio dado à Dança do Candelabro, que simboliza o
equilíbrio entre o céu e a terra. O candelabro deve ter de 7 a 13 velas
acesas, e é colocado no alto da cabeça. Os movimentos são suaves e precisos,
acompanhados pela música lenta.
Dança
com Tacinhas
A
Dança com Tacinhas é derivada da Dança do Candelabro. São utilizadas uma
taça em cada mão, ambas com uma vela acessa, sendo estas equilibradas em várias
partes do corpo da bailarina, como pernas e barriga, mesclando sensualidade,
mistério e equilíbrio. É uma
dança muito antiga, comum em batizados e casamentos egípcios, assim como a Dança
do Candelabro, onde as bailarinas conduzem o cortejo levando as tacinhas acesas
na mão. O fogo das velas ilumina o caminho do casal de noivos como forma de
trazer felicidade à eles, representando luz, vida e prosperidade. Ao dançar
com as tacinhas, a bailarina faz do seu corpo um veículo sagrado e ofertado.
Dança
da Espada
Acredita-se
que a Dança da Espada era uma homenagem à Deusa Neit, uma deusa guerreira. Ela
simboliza a destruição dos inimigos e a abertura de caminhos. As mulheres, na
antiguidade, roubavam as espadas dos reis para dançar, com o objetivo de
mostrar que a espada era mais útil na dança do que fazendo inúmeros mortos e
feridos. Dançar com a espada exige equilíbrio, técnica e
domínio
interior das forças densas e agressivas. Com muita graça, charme e um certo ar
de mistério, a bailarina pode equilibrar a espada na cabeça, pernas e cintura.
Dança com Punhal
A Dança do
Punhal é uma variação da Dança da Espada, e é cercada de mistério e muito
suspense. De origem turca, reverencia a Deusa Selkis, a Rainha dos Escorpiões.
Simboliza a morte, o sexo e a transformação.
Snujs
Snujs são
pequenos címbalos de metal que lembram as famosas castanholas espanholas. São
colocados um par em cada mão, presos por elásticos nos dedos médio e
indicador, e que devem ser tocados acompanhando o ritmo da música.
Acredita-se
que o som dos snujs emitem vibrações que purificam o ambiente afastando cargas
negativas.
Os snujs
acompanham a percussão (derback) da música, não devendo ser tocados em partes
lentas como solo de flauta ou violino.
A dança se
torna alegre e mostra a habilidade da bailarina, dançando e tocando este
instrumento que exige musicalidade e coordenação motora.
Solo de
Derbak
Derbak é o
principal instrumento de percussão árabe, muito comum na maioria das músicas
com um som bem alegre e vibrante.
A bailarina
e o derbak podem fazer uma grande dupla se estiverem em ótima sintonia. As
batidas fortes tem que ser acompanhadas com a mesma precisão pela bailarina.
Danças Folclóricas
Dança do Bastão
A Dança do Bastão se originou do Tahtib, uma dança marcial masculina, onde os homens usavam os shoumas (longos bastões) para se defenderem. Seus movimentos eram fortes e ágeis, para demonstrar a força masculina.
Diferentemente do Tahtib, a Dança do Bastão é caracterizada por movimentos femininos e extremamente delicados e graciosos. Seu traje típico é um vestido de corte reto. Os principais movimentos com o bastão são: giros verticais, horizontais e transversais sempre em harmonia com o trabalho dos quadris, busto, etc Ao som do ritmo Said do Alto do Egito, a bailarina deve demonstrar toda a sua habilidade no manuseio do instrumento.
Dança com Daff
O Daff é um pandeiro árabe semelhante ao pandeiro tradicional, assim como os snujs é tocado pela bailarina acompanhando o ritmo da música.
Os
ritmos mais rápidos são perfeitos para serem acompanhados pelas batidas do
pandeiro no corpo da bailarina.
Meleah
Laff
O Meleah Laff é uma dança tradicional das garotas do subúrbio do Cairo, onde se usam grandes lenços pretos enrolados ao corpo. A amarração padrão do Meleah passa o véu por baixo dos seios, prendendo uma das pontas embaixo do braço. Do outro lado, o véu passa por cima da cabeça e é seguro pela mão. Durante a dança, a bailarina “puxa” o Meleah para que este fique justo ao corpo e ressalte suas formas femininas, principalmente o quadril. No decorrer da música, a bailarina solta o lenço e dança até o fim com ele nas mãos. Nesta dança, a bailarina deve usar um chador (véu que cobre parte do rosto) que pode ser retirado durante a apresentação. Outra característica do Meleah Laff, é o ato da dançarina mascar chiclete durante a dança, dando um ar de atrevimento (tradicionalmente, as egípcias costumam mascar goma de miske).
É
uma dança que exige muito charme e ousadia da bailarina que a interpreta. O
jeito de andar (com o ar de levada), o lenço e o chador cobrindo o que mais
tarde será descoberto e o ato de mascar chiclete são fatores característicos
da dança das garotas Baladi do Egito.
Khallege
O Khallege mostra toda a graça das mulheres do Golfo Pérsico e dos Emirados Árabes. É uma dança típica de festas e reuniões familiares.
Durante
a dança, as mulheres exibem seus cabelos (motivos de orgulho) com passos
marcados que dão movimentos à eles. São usados vestidos de tecidos leves e
transparentes ricamente bordados e, por baixo, a vestimenta de Dança do Ventre.
Dança
com Jarro
A Dança
do Jarro é conhecida também como Dança do Nilo e simboliza a busca da água
no deserto.
A
bailarina interpreta o trajeto de uma nômade que sai de sua tenda em direção
ao oásis com o intuito de buscar água. No caminho, ela executa movimentos com
o jarro como: parar para descansar, refrescar-se, pegar a água e, finalmente,
voltar à tenda. Para dançá-la, a bailarina deve usar roupas que cubram todo o
corpo, imitando o traje das beduínas, inclusive fazendo uso dos chadores (véus
que cobrem o rosto).
A
água que está no jarro pode ser uma representação da alma que habita nossos
corpos. Essa dança é realizada, principalmente, em ocasiões como o nascimento
de bebês.
Dabke
É
uma dança nacional do Líbano, apresentada em todo o país por dançarinos que
usam tradicional roupa montanhesa. O tema da dança está sempre ligado a vida
cotidiana nas aldeias.
O dabke não requer o movimento dos braços, marca-se o ritmo com as batidas dos pés e é realizada em grupo. Apesar de ser originalmente masculina, hoje em dia pode ser vista sendo dançada por toda a família. Nas festas árabes, essa dança acaba por contagiar a todos. Mesmo quem não faz parte da colônia, ou não conhece a dança, entra no clima pela alegria e facilidade da execução dos passos básicos.
(Parte da matéria para o Jornal online da Receita Federal, X-Officio - Edição nº9. Escrita por Fernanda Matsumoto - Proibida cópia).